Espero que gostem!
Capítulo 2
Pela manhã, o relógio despertou, debaixo do meu travesseiro - que eu me lembre, ele estava no criado mudo, mas deixa pra lá. Sentei-me na cama e tentei me acostumar que eu estava em Nova York, que não tinha mais a minha maravilhosa vista, que talvez eu nunca mais fosse vê-la novamente. Passei as mãos nos olhos pra tentar afastar o sono, mas, nada. Levantei e fui até o banheiro, eu ainda não o tinha visto, mas era lindo - tinha banheira, que tudo.
Depois de me trocar toda hora, na maior dúvida com que roupa eu iria arrasar no primeiro dia de aula - afinal, quem quer aparecer feia? - decidi ir com uma blusa branca, um bolero preto, calça jeans e botinha. Bom, estava ótimo! Desci as escadas e Pool estava assistindo Discovery Kids, de tanto assistir, sei tudo que se passa naquele canal - até algumas falas de desenhos.
- Mãe, já estou pronta!
- Come um lanche primeiro, filha.
Bufei e fui até a cozinha, me sentei e coloquei a minha mochila vermelha xadrez em cima da mesa.
- O que está achando daqui, Belinda? - perguntou mamãe esperando eu mastigar os biscoitos com cara de pensativa.
- Nada mal. Mas sinto muita falta de Miami.
Mamãe não respondeu, mas também, o que ela tinha que discordar? Não vou esquecer-me da minha vida em Miami de uma vez só.
- Mãe! Também quero ir á escola - gritou Pool se agarrando em mamãe.
- Você estuda de tarde, se esqueceu?
Ele abaixou a cabeça e me abraçou, roubando três biscoitos meus. Ri e me despedi de mamãe e Pool. Papai havia saído - ou arrumar emprego, ou trabalhar. A escola não era longe, por isso dava pra ir a pé numa boa. Quando saí de casa, vi Lorrany saindo também. Sorri com esperanças de ela ser da minha escola, ela me viu e foi até mim.
- Vai pra escola? - perguntou se aquecendo no casaco.
- Vou sim! Que bom que estudamos juntas.
- É.
No caminho, conversamos sobre o que ela achava de Nova York, e contei algumas coisas sobre Miami, principalmente Trevor - que esqueci de ligar novamente.
- Deve ser ruim se separar de quem se ama, né?
- Muito... - sussurrei prendendo as lágrimas.
Quando chegamos na escola, vários alunos me regularam de cima á baixo - odeio isso -, passei pelos reguladores, emos, patricinhas, de tudo! Tinha meninos lindos, mas não me interessei por nenhum, tudo com cara de "nada fiel".
Até eu ver um que realmente me chamou atenção.
Ele estava encostado na parede, ouvindo música num fone de ouvido que o deixava mais interessante ainda. Ele estava de óculos escuro, com uma franja de lado, e um cabelo magnífico castanho claro, meio loiro. Ele estava bebendo Milk Shake, conversando com um menino que estava reparando provavelmente a bunda das garotas que passavam. A roupa do MM - menino mistério - era simples, usava tênis, calça jeans e um casaco de couro. Reparei uma corrente de um dragão em seu pescoço.
- Belinda? - me chamou Lorrany me vendo paralisada.
- Oi? Desculpa. - olhei pra baixo coçando o pescoço.
Dei só mais uma olhada pro garoto, e ele parecia estar olhando na minha direção, mas com os óculos podia ser qualquer outra garota que estava perto de mim.
Quando bateu o sinal, fui pra classe com Lorrany e estava vazia, pelo menos ninguém ia ficar me olhando enquanto eu entrava. Sentamos na terceira fileira da porta, um pouco no fundo. Lorrany ficou na minha frente, enquanto conversávamos, vi o menino de antes entrar, ele estava sem óculos, e naquela hora deu pra reparar na beleza única dele. Nossos olhos se encontraram por um instante, mas ele nem pareceu ligar. Tentei esquecer que ele existia e me fixei na lição.
Até meu celular tocar.
Todos olharam pra mim e eu tentei disfarçar, desliguei rapidamente, mas consegui ver que era Trevor - me deu raiva dele naquele momento.
- Srta. Belinda? Por favor, evite que isso aconteça novamente. - avisou o professor.
- Desculpa juro que vou evitar.
Quando a aula acabou, fiquei por último arrumando minhas coisas. Lorrany disse que ia à cantina, porque estava com fome, então pediu pra eu encontrá-la lá. Quando arrumei tudo, aproveitei pra ligar pra Trevor, já que não tinha ninguém lá na classe.
- Trevor?
- Belinda! Até que enfim você atendeu.
- Você me ligou em horário de aula, quase pegaram meu celular. Como vão as coisas aí? Estou com saudades.
- Desculpa. - riu. - As coisas vão bem, também estou com saudades. E aí?
- Eu estou bem, e Nova York também. Tenho uma nova amiga e a casa é fantástica, a escola, bom, nada de ruim.
- Já achou algum menino pra me trocar?
- Nunca! Porque está falando isso? Tem outra menina em cena? - desafiei.
- Jamais.
- Tenho que desligar, tchau beijos. - me despedi vendo que tinha gente se aproximando.
Quando desliguei sem tempo de ouvir o som doce da voz dele, guardei o celular e Lorrany entrou com um lanche e dois Milk Shake.
- Estava falando sozinha?
- Com meu namorado.
- Ah... – disse me entregando um Milk Shake de morango. - Percebi que você estava de olho no Jake...
Olhei confusa pra ela e fiquei esperando ela dizer quem é.
- Aquele menino, que estava de óculos e fone de ouvido.
Balancei a cabeça, sabendo quem era. Belo nome pra um perfeito garoto. Mas, não! Eu tenho meu namorado e não vou trocá-lo por um garoto que achei bonito - maravilhoso!
- Se interessou? - perguntou com um sorriso.
- Claro que não. Eu to namorando, se esqueceu?
- Mas a distância entre vocês é grande. Sei que se amam, mas com certeza vai haver uma pessoa em cena.
Deixei aquele papo se finalizar. Por um lado ela tava certa, mas não queria que acontecesse.
- Espera! – anunciou Lorrany enquanto saíamos da escola.
- O que foi? – perguntei olhando para todos os lados e esperando que ela falasse.
- LUCAS! – gritou Lorrany desesperada, deixando-me para trás e correndo atrás de um menino, que estava parado na porta da escola.
O tal Lucas, era simpático – tinha um corpo esbelto e uma cabeleira de dar inveja em muitos, mas não me chamou atenção. Quando Lorrany gritou por seu nome, ele levemente abaixou o óculos escuro e deu uma olhada nela, um sorriso brotou em seu rosto, fazendo com que Lorrany pulasse para um grande abraço.
Eu não iria ficar ali, só analisando os dois se abraçarem, então fui direto para o portão.
- Que bom te rever... – sussurrou Lorrany, ainda no abraço.
- Pois é! – respondeu Lucas, empurrando Lorrany e dando uma olhada em seu rosto.
De repente, ele parou de olhá-la e seus olhos bateram em mim.
- Quem é ela? – perguntou Lucas, apontando para mim.
- Ah... Essa é a Belinda, ela é nova aqui. É de Miami! – explicou Lorrany, enquanto Lucas me regulava de cima abaixo.
Senti-me um pouco mal por estar sendo regulada novamente.
- Olá! – exclamou Lucas, num grande sorriso.
- Oi... – sussurrei, olhando para os lados, meio que procurando alguma coisa, mas nem eu sabia o quê.
Lorrany olhou para Lucas, sorriu novamente e partiu para mais um longo abraço.
- É... Acho melhor eu ir indo. – expliquei aos dois.
- Pode ir, te vejo mais tarde... Se você quiser! – respondeu Lorrany.
Segui até a rua que dava na minha casa.
Chegando perto de casa, alguém me cutucou e um susto me pregou.
- Oi. – disse Lorrany, deixando-me ver Lucas logo atrás dela. – Demorei, mas cheguei!
- É... E o seu amigo também.
- O que houve? Não curtiu o Lucas? – perguntou Lorrany, regulando Lucas de cima a baixo. – Ele pode parecer meio isibidinho... Mas é legal!
Seguimos até a porta da casa de Lorrany. Ela pediu que eu entrasse, eu disse que não e ela insistiu.
- Não Lorrany, preciso ir. Minha mãe me espera! – expliquei, dando-lhe um abraço e seguindo até a porta de casa.
Lorrany logo em seguida, entrou – acompanhada de Lucas.
Antes que eu abrisse a porta, percebi que próximo ao pequeno e coberto de neve jardim, Pool estava lá. Acompanhado de mamãe ele fazia um boneco de neve. Corri até eles, para avisar que eu chegara.
- Belinda! – exclamou Pool, na maior felicidade. – Veio nos ajudar a fazer o boneco de neve?
- Não Pool... Só vim avisar que eu já cheguei. – respondi, abraçando-o. – Olá mamãe.
- Olá Belinda! – respondeu mamãe, concentrada em terminar o boneco. – A comida está no micro-ondas.
Calei-me e segui até a porta. Verdadeiramente, eu não estava com a mínima fome, então prossegui até meu quarto.
Chegando lá, joguei a mochila perto da porta, peguei meu Notebook e deitei na cama. Vi que ali havia umas mensagens das minhas amigas e do Trevor. Não queria ler as mensagens agora, então me troquei, fui até a sala e comecei a assistir.
De repente, meu celular tocou. Era Trevor.
- Alô? – atendi.
- Belinda! – exclamou Trevor. – Eu estou ligando faz muito tempo, por que você não atende?
- Trevor! Você me ligou não faz nem meia hora! O que tá acontecendo?
- Pelo menos eu estou preocupado com você! – respondeu, dando uma indireta.
- Aé? E quem disse que eu não estou preocupada com você?
- Da pra perceber.
- Cale a boca! – gritei.
Por um momento nos calamos. Era bobeira brigar nesse momento e logo agora, que estávamos longe um do outro.
Ele não disse mais nada, muito menos eu. Eu não queria brigar e tenho certeza que ele também não! Então a melhor alternativa era se calar, até algum assunto aparecer.
- Belinda, ainda está ai? – perguntou Trevor.
- Sim. – respondi friamente.
- Está com raiva de mim?
- Sim! – respondi com firmeza.
Trevor no mesmo momento desligou o telefone, me deixando ali, sem rumo.
A única coisa a fazer era retornar a ligação.
- QUEM MANDOU VOCÊ DESLIGAR NA MINHA CARA? – gritei furiosa.
- Belinda, cale a boca! Eu cansei de falar com você! Conversamos mais tarde.
- É agora ou nunca mais, você escolhe!
Ambos se calaram.
- O que você quer conversar? – perguntou Trevor.
- Sobre nós!
- Ah não... – sussurrou.
- Ah sim! – continuei. – O que você tem? Você nunca foi assim de ficar me ligando toda hora!
- BELINDA, VOCÊ TÁ EM OUTRO LUGAR, MUITO MAIS LONGE DE MIM! BELINDA, EU SOU SEU NAMORADO, NÃO SEUS AMIGUINHOS DA ESCOLA!
- PARE DE GRITAR COMIGO! – ordenei.
- PARE VOCÊ! – ordenou também.
Ambos se calaram novamente.
- Trevor, eu não quero mais falar nada. Você me desanima! – comentei, chorando.
- Eu te desanimo? Belinda... Belinda! – disse. – Você está chorando?
- SIM, COMO EU NÃO ESTARIA CHORANDO COM VOCÊ FALANDO ASSIM? EM? DIZ-ME!
- Belinda eu não quero brigar... – sussurrou.
- Se você não percebeu, já brigamos. – finalizei a conversa, desligando.
Depois de desligar, joguei o celular na parede da cozinha e corri para o meu quarto.
Trevor não estava só me irritando, estava me chateando e me magoando!
De tanto chorar na cama, acabei cochilando.
Na manhã seguinte, mamãe insistiu em me levar para comer um café da manhã e depois me deixava na escola. Paramos no fast-food e eu pedi fritas e um suco de morango.
- Como está indo a escola, Bells? - perguntou mamãe deixando o suco dela de lado, e me encarando esperando eu responder.
- Boa. Lorrany já é minha amiga e... - dei uma pausa, percebendo que ela me encarava com um sorriso de querendo saber sobre os meninos. - Mãe, eu tenho namorado, e pra falar a verdade lá tem sim, meninos bonitos, mas não me interessei por nenhum! - na mesma hora, Jake veio pela mente, sacudi a cabeça e mamãe riu.
- Então ta.
- Vamos, mãe, vou me atrasar.
Eu odiava o costume ridículo, quando minha mãe me fazia esquecer que eu tenho namorado e que devia arranjar outro.
No carro, não ousei conversar com minha mãe. Fiquei observando a paisagem, e decidi falar com Lorrany pra me mostrar um pouco de Nova York.
- Tchau, Bells.
Desci do carro e logo procurei por Lorrany.
Até ela me assustar me abraçando por trás.
- Hoje a sua paquera não vai vir.
- Minha paquera? Do que você está falando?
- Jake! Eu sei que você sentiu algo por ele.
- Ah, Lorrany, cale a boca.
Eu não me importava nem um pouco dele faltar ou vir. Ele não me interessa mesmo.
Na aula, Lorrany ficou jogando papeizinhos sobre meninos, depois do professor trocá-la de lugar porque não parava de conversar comigo.
- Belinda, você pode ler a página 32, por favor?
Era aula de francês e eu não sou muito boa em francês, mas tentei. Saiu uma porcaria, um mico! Pronunciei algumas palavras erradas e todos ficaram rindo, ainda por cima o texto era de uma página inteira - incluindo alguns quadrinhos com letras minúsculas e borradas.
- Você é ótima em francês - disse Lorrany com sarcasmo.
Dei uma risada baixa e Lucas apareceu na nossa frente - eu o odeio.
- Oi garotas! - nos cumprimentou.
- Lorrany, te espero na cantina. - avisei á ela enquanto Lucas me olhava.
Pedi um Milk Shake e fiquei pensando porque Lorrany me disse que Jake não iria vir, será que aconteceu alguma coisa com ele?! Mas e daí?
- Bells, porque você não gosta do Lucas? Ele é gente boa, e acho que gosta de você! - disse Lorrany aparecendo do meu lado e me olhando.
- Não é que eu não gosto dele, e... Como assim gosta de mim?
- Ele ficou me perguntando sobre você hoje, antes de você chegar.
- Porque você disse que o Jake não iria vir? - deixei escapar minha curiosidade.
Lorrany ficou olhando pra trás de mim e não me respondeu. Depois ergueu as sobrancelhas, olhei pra trás e Jake estava ali. Nossos olhos se encontraram e fiquei-me xingando por dentro - ele ouviu o que eu disse o que deve estar pensando agora?
- Licença - ele disse, se sentando ao meu lado e olhando a tela com cardápios.
Olhei pra Lorrany e ela riu. Abaixei a cabeça e fiquei tentando disfarçar a cena de antes. Puxei-a pra fora dali e tive vontade de espancá-la.
- Porque você disse aquilo no começo da aula?
- Pra ver sua reação, relaxa.
- Relaxar? Ele deve pensar que me apaixonei pela primeira vista!
Na saída da escola, combinei com Lorrany da gente dar uma volta pela cidade, mas ela insistiu em Lucas ir junto, pois ele ia a casa dela hoje.
Quando cheguei a casa, Pool estava assistindo Bob esponja no DVD, papai estava na cozinha lendo jornal e mamãe estava fazendo o almoço.
- Oi, pai, oi mãe - disse abrindo a geladeira. - Vou dar uma volta com a minha amiga, a vizinha daquele dia.
Eles se encararam e não responderam, então considerei como um "sim pode ir."
Subi pro meu quarto e me arrumei. Fiquei observando a vista pela janela, tinha crianças brincando com a neve - não estava muito frio - e adolescentes conversando. Deixei cair uma lágrima, lembrando de Miami.
- Belinda? – perguntou mamãe, entrando em meu quarto.
- Oi? – perguntei limpando a lágrima.
- Lorrany está lá embaixo e te espera. – respondeu, limpando suas mãos em um pano de prato. – É... – continuou – Está chorando?
Encarei-a, querendo mostrar meu rosto – que naquele momento estivera seco -, voltei a olhar para a vista.
- E Trevor? – perguntou mamãe.
Não respondi então ela insistiu.
- Por que continua com ele, filha? É uma perda de tempo em sua vida... – comentou, sentando-se em minha cama.
- Você não sabe de nada. – sussurrei.
- Eu sei mais que você, disso eu sei. – rebateu.
- Não sobre Trevor.
Mamãe no mesmo instante levantou-se, colocou o pano de prato em seu ombro e sussurrou.
- Não deixe Lorrany te esperando.
Depois, saiu de meu quarto.
Não queria deixá-la esperando, então prossegui até a sala.
- Até que em fim... – comentou Lorrany, levantando-se do sofá e partindo para um abraço.
Abraçamos-nos e então fomos para o passeio.
- O que você quer ver primeiro? – perguntou Lorrany, enquanto eu trancava a porta.
- Ah... Você tem uma sugestão?
- Hum... – sussurrou – A lanchonete dez, aqui perto. Eu sempre como lá aos sábados. – respondeu, puxando minha mão e andando até a tal lanchonete.
Aquela lanchonete não era tão perto – o que me deixou muito cansada – e ainda por cima, fomos a pé! Quando chegamos, ela não estava vazia e havia muitas pessoas da nossa escola.
- Olha, o Lucas está ali! – comentou Lorrany, apontando para uma das cadeiras do fundo, onde Lucas estivera sentado olhando o cardápio.
- Ele ainda não nos viu, da tempo de cair fora. – sussurrei, puxando-a.
Ela queria ir lá, sentar e começar a conversar com Lucas, mas eu não. Pra mim ele não passava de um bajulador barato. E então, prosseguimos para mais um local.
- Vamos ao shopping? – perguntou Lorrany – Lá tem uma loja perfeita de roupas e sapatos.
- Ta...
Fomos até o shopping – não era tão longe quanto à lanchonete -, e quando chegamos meu olho logo bateu em um letreiro:
Sua vida amorosa não anda muito boa? Então venha aqui. Um encontro às escuras, iremos arranjar.
- Parece até que é pra mim... – sussurrei.
- Falou alguma coisa? – perguntou Lorrany, concentrada em olhar para um dos sapatos da vitrine da tal loja.
- Não.
A loja era mesmo perfeita. Tinha cada roupa linda, mas eu não estava com dinheiro naquele momento, então teríamos que vir outro dia.
- Que tal ir no Skate Park? – perguntou Lorrany. – Sei que você não está interessada em namorar ninguém, pois você tem um namorado. Mas olhar não arranca pedaço! – comentou. – E aí? Topa?
Por um momento pensei em Trevor, eu não queria arranjar nenhuma “paquera” nesse momento. Mas depois pensei na briga e a raiva subiu à minha cabeça, fazendo-me topar ir no Skate Park.
O Skate Park é longe do shopping, então tivemos que pegar um ônibus.
- Aqui! – apontou Lorrany para um banco de dois lugares.
Sentamo-nos e ela foi amostrando os lugares pela janela.
- Vamos descer aqui. – comentou, apertando o sinal. – Vem! – ordenou, puxando-me pelo braço. – Aqui é o palácio da beleza masculina, aonde todos os meninos bonitos se encontram, até o Jake.
O Skate Park era grande, era como um hotel. Lá no topo tinha uma rampa enorme – a rampa da morte – e lá embaixo, as pequenas rampas.
Entramos lá dentro, havia um saguão. E logo em seguida, elevadores – em cada andar, tinha uma rampa apropriada.
- No quarto andar, que ficam os bonitos. – comentou Lorrany entrando em um dos elevadores.
- Então vamos lá.
- Isso ai Bells! Assim que se fala! – comentou apertando o botão de número quatro.
O elevador estava novo, então foi muito rápido. Mas antes de chegarmos no quarto andar, alguém subiu no elevador. Era um menino simpático, loiro e alto, mas não me chamou a mínima atenção.
- Vamos! – exclamou Lorrany saindo do elevador.
O quarto andar era sim o “Palácio da Beleza Masculina”. Lá tinha as paredes douradas e o chão era um carpete vermelho. As rampas ficavam ao lado de uma parede de vidro – era linda a vista. – e ao lado dos elevadores tinham algumas cadeiras, bem do outro lado, perto da parede, tinham uns jogos.
Sentamo-nos em um dos bancos. Lá estava cheio de meninos – e meninas também.
Depois de um tempo conversando e analisando os meninos, um deles sentou-se nosso lado.
- Olá! – disse o tal menino. Ele tinha um moicano e a sua pele era clara e ele era muito musculoso. – O que as belas fazem aqui?
- É... – sussurrou Lorrany. – Nada, apenas olhando a bela paisagem... – os olhos de Lorrany correram pelo tanquinho dele.
- É, eu também. – dessa vez os olhos dele, correram pelo rosto de Lorrany.
Ela riu. Ele levantou-se e pegou na mão dela.
- Quer passear por ai? – perguntou o tal menino. – Ah, meu nome é Matheus.
- Ah... Quero Matheus... – respondeu Lorrany. – Mas, com uma condição.
- Qual?
- Se você tiver outro amigo gatinho que nem você para acompanhar ela. – respondeu Lorrany apontando para mim.
- Lorrany! – comentei furiosa.
- Tudo bem, eu vou falar com o Mike! – respondeu Matheus, soltando a mão de Lorrany e indo falar com um grupinho de meninos que estavam encostados na rampa.
Depois – não muito tempo – ele voltou com um menino super lindo. Ele tinha olhos cor de mel, cabelo preto – feito topete – e um músculo lindo.
- Esse aqui é o Mike! – comentou Matheus, empurrando Mike para cima de mim.
- Prazer! – disse Mike.
- Prazer!
- E então, já podemos ir. – comentou Lorrany.
Eu não estava gostando nem um pouquinho de um menino desconhecido – mas completamente lindo – segurando a minha mão e me arrastando até o shopping.
Depois eles começaram a conversar, então fui para o lado de Lorrany.
- O que é isso? Sair com meninos desconhecidos! Você ta ficando doida, né? – perguntei assustada.
- Belinda, se toca. Já temos dezesseis anos! – respondeu continuando a andar.
- “Belinda se toca”? – perguntei. – Você tá pensando que é quem? Eu vou me mandar, porque não quero me meter em encrenca.
- Vamos conversar... – respondeu Lorrany me puxando para o lado. – Vão indo meninos.
Ela me olhou fundo nos olhos e suspirou.
- Olha Belinda, se você for ficar pensando nas consequências é melhor você nem ser minha amiga. – comentou.
- Ta... – respondi – Vamos logo, antes que eles queiram ir embora.
Prosseguimos até os meninos. Lorrany correu até o Matheus e agarrou seu braço. Eu fiquei na minha, só andando. Então Mike, me olhou, sorriu e segurou minha mão.
- Qual seu nome? – perguntou Mike.
- Belinda... – respondi super confusa.
- Quantos anos você tem? – continuou o questionário.
- Dezesseis! – respondi. – E você?
- Dezessete.
Não era legal sair com ele. Ainda mais que ele era mais velho, eu me sentira uma pirralha ali.
Não tinha como ir ao shopping a pé, então tinha que ir de ônibus – de novo -, então eu corri pra sentar com a Lorrany, mas ela me despachou e quis sentar com o Matheus. Legal! Tive que ficar com o Mike.
- Você está fugindo de mim ou é só impressão? – perguntou Mike, rindo.
- É... – gaguejei.
- Tenha medo não, eu não mordo! – comentou abraçando-me.
Não me sentia confortável sendo abraçada por ele – estava pensando muito em Trevor – mas por um lado, era ótimo.
- Você é linda... – comentou.
- Obrigada! – respondi meio com vergonha.
Quando chegamos, eu dei aleluia.
Entramos no shopping e optamos por tomar uma vitamina.
- Vamos sentar ali. – indicou Lorrany, apontando para uma mesa de quatro lugares.
Sentamos na tal mesa e pegamos o cardápio.
- Eu vou querer de abacate e você Lô? – perguntou Matheus com muita intimidade.
- Hum... Vou querer de morango! – respondeu Lorrany.
- Eu quero de morango também. E você Mike?
- Goiaba. – respondeu Mike. – Vocês vão lá pedir, a gente fica aqui, ta?
- Ta bem! – respondeu Lorrany me puxando.
Deixei minha carteira em cima da mesa.
Enquanto pedíamos, o meu celular tocou – era o Trevor.
- E aí? Atende? – perguntou Matheus.
- Claro! – respondeu Mike pegando meu celular e atendendo.
Ele atendeu e Trevor logo disse:
- E aí?
- Quem é? – perguntou Mike, na maior tranquilidade.
- Quem é digo eu. Quem é você? E por que ta com o celular da minha namorada? – perguntou Trevor.
- Sua namorada? A meu filho, acho melhor você se tocar. Levou chifre, colega.
- Hã? Qual seu nome? – continuou Trevor.
- Meu nome é Mike. E se você quer saber eu to num encontro com a Belinda, ta? Da licença! – respondeu Mike, desligando o celular e deixando-o na carteira.
Matheus olhou para Mike e balançou a cabeça. Enquanto nós voltávamos com as vitaminas, eles se calaram.
- Aqui estão as vitaminas! – anunciei.
- Obrigada linda. – respondeu Mike.
Depois de muito papo, Lorrany e Matheus já estavam se beijando. Então Mike quis me beijar também, mas eu recusei.
- Está na hora de ir... – comentei olhando para o relógio que mostrava ser seis horas.
- É... Te ligo Matheus. – respondeu Lorrany, selando a conversa com mais um beijo.
- Tchau Mike, foi bom te conhecer.
- Também foi bom te conhecer. – disse Mike, dando-me um papel com seu telefone. – Me liga...
Fomos para casa.
Quando estávamos na porta da minha casa, Lorrany se despediu.
- Tenho que ir, meu pai deve estar me esperando para fazer a famosa macarronada de quinta-feira.
- Tudo bem, obrigada por me mostrar Nova York! – respondi abraçando-a.
Ela seguiu até a casa e entrou.
Quando estava no meu quarto, fui olhar meu celular e tinha uma ligação do Trevor, mas eu não me lembrava de ter atendido.
Então, retornei a ligação.
- Trevor? – perguntei. – Você me ligou?
- Não lhe devo satisfações, ah, não me ligue mais, a não ser pra falar que morreu! – respondeu Trevor desligando na minha cara.
Eu não tinha entendido nada, mas não queria retornar a brigar, naquele momento eu só queria comer um sanduíche de atum.