quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Teenlog - Entre dois corações! cap 2

Esse é capítulo 2 do livro :)
Espero que gostem!



                                          Capítulo 2
 Pela manhã, o relógio despertou, debaixo do meu travesseiro - que eu me lembre, ele estava no criado mudo, mas deixa pra lá.  Sentei-me na cama e tentei me acostumar que eu estava em Nova York, que não tinha mais a minha maravilhosa vista, que talvez eu nunca mais fosse vê-la novamente. Passei as mãos nos olhos pra tentar afastar o sono, mas, nada. Levantei e fui até o banheiro, eu ainda não o tinha visto, mas era lindo - tinha banheira, que tudo.
 Depois de me trocar toda hora, na maior dúvida com que roupa eu iria arrasar no primeiro dia de aula - afinal, quem quer aparecer feia? - decidi ir com uma blusa branca, um bolero preto, calça jeans e botinha. Bom, estava ótimo! Desci as escadas e Pool estava assistindo Discovery Kids, de tanto assistir, sei tudo que se passa naquele canal - até algumas falas de desenhos.
- Mãe, já estou pronta!
- Come um lanche primeiro, filha.
 Bufei e fui até a cozinha, me sentei e coloquei a minha mochila vermelha xadrez em cima da mesa.
- O que está achando daqui, Belinda? - perguntou mamãe esperando eu mastigar os biscoitos com cara de pensativa.
- Nada mal. Mas sinto muita falta de Miami.
 Mamãe não respondeu, mas também, o que ela tinha que discordar? Não vou esquecer-me da minha vida em Miami de uma vez só.
- Mãe! Também quero ir á escola - gritou Pool se agarrando em mamãe.
- Você estuda de tarde, se esqueceu?
  Ele abaixou a cabeça e me abraçou, roubando três biscoitos meus. Ri e me despedi de mamãe e Pool. Papai havia saído - ou arrumar emprego, ou trabalhar.  A escola não era longe, por isso dava pra ir a pé numa boa. Quando saí de casa, vi Lorrany saindo também. Sorri com esperanças de ela ser da minha escola, ela me viu e foi até mim.
- Vai pra escola? - perguntou se aquecendo no casaco.
- Vou sim! Que bom que estudamos juntas.
- É.
 No caminho, conversamos sobre o que ela achava de Nova York, e contei algumas coisas sobre Miami, principalmente Trevor - que esqueci de ligar novamente.
- Deve ser ruim se separar de quem se ama, né?
- Muito... - sussurrei prendendo as lágrimas.
  Quando chegamos na escola, vários alunos me regularam de cima á baixo - odeio isso -, passei pelos reguladores, emos, patricinhas, de tudo! Tinha meninos lindos, mas não me interessei por nenhum, tudo com cara de "nada fiel".
 Até eu ver um que realmente me chamou atenção.
 Ele estava encostado na parede, ouvindo música num fone de ouvido que o deixava mais interessante ainda. Ele estava de óculos escuro, com uma franja de lado, e um cabelo magnífico castanho claro, meio loiro. Ele estava bebendo Milk Shake, conversando com um menino que estava reparando provavelmente a bunda das garotas que passavam. A roupa do MM - menino mistério - era simples, usava tênis, calça jeans e um casaco de couro. Reparei uma corrente de um dragão em seu pescoço.
- Belinda? - me chamou Lorrany me vendo paralisada.
- Oi? Desculpa. - olhei pra baixo coçando o pescoço.
 Dei só mais uma olhada pro garoto, e ele parecia estar olhando na minha direção, mas com os óculos podia ser qualquer outra garota que estava perto de mim.
 Quando bateu o sinal, fui pra classe com Lorrany e estava vazia, pelo menos ninguém ia ficar me olhando enquanto eu entrava. Sentamos na terceira fileira da porta, um pouco no fundo. Lorrany ficou na minha frente, enquanto conversávamos, vi o menino de antes entrar, ele estava sem óculos, e naquela hora deu pra reparar na beleza única dele. Nossos olhos se encontraram por um instante, mas ele nem pareceu ligar. Tentei esquecer que ele existia e me fixei na lição.
 Até meu celular tocar.
 Todos olharam pra mim e eu tentei disfarçar, desliguei rapidamente, mas consegui ver que era Trevor - me deu raiva dele naquele momento.
- Srta. Belinda? Por favor, evite que isso aconteça novamente. - avisou o professor.
- Desculpa juro que vou evitar.

 Quando a aula acabou, fiquei por último arrumando minhas coisas. Lorrany disse que ia à cantina, porque estava com fome, então pediu pra eu encontrá-la lá. Quando arrumei tudo, aproveitei pra ligar pra Trevor, já que não tinha ninguém lá na classe.
- Trevor?
- Belinda! Até que enfim você atendeu.
- Você me ligou em horário de aula, quase pegaram meu celular. Como vão as coisas aí? Estou com saudades.
- Desculpa. - riu. - As coisas vão bem, também estou com saudades. E aí?
- Eu estou bem, e Nova York também. Tenho uma nova amiga e a casa é fantástica, a escola, bom, nada de ruim.
- Já achou algum menino pra me trocar?
- Nunca! Porque está falando isso? Tem outra menina em cena? - desafiei.
- Jamais.
- Tenho que desligar, tchau beijos. - me despedi vendo que tinha gente se aproximando.
 Quando desliguei sem tempo de ouvir o som doce da voz dele, guardei o celular e Lorrany entrou com um lanche e dois Milk Shake.
- Estava falando sozinha?
- Com meu namorado.
- Ah... – disse me entregando um Milk Shake de morango. - Percebi que você estava de olho no Jake...
 Olhei confusa pra ela e fiquei esperando ela dizer quem é.
- Aquele menino, que estava de óculos e fone de ouvido.
 Balancei a cabeça, sabendo quem era. Belo nome pra um perfeito garoto. Mas, não! Eu tenho meu namorado e não vou trocá-lo por um garoto que achei bonito - maravilhoso!
- Se interessou? - perguntou com um sorriso.
- Claro que não. Eu to namorando, se esqueceu?
- Mas a distância entre vocês é grande. Sei que se amam, mas com certeza vai haver uma pessoa em cena.
 Deixei aquele papo se finalizar. Por um lado ela tava certa, mas não queria que acontecesse.

- Espera! – anunciou Lorrany enquanto saíamos da escola.
- O que foi? – perguntei olhando para todos os lados e esperando que ela falasse.
- LUCAS! – gritou Lorrany desesperada, deixando-me para trás e correndo atrás de um menino, que estava parado na porta da escola.
 O tal Lucas, era simpático – tinha um corpo esbelto e uma cabeleira de dar inveja em muitos, mas não me chamou atenção. Quando Lorrany gritou por seu nome, ele levemente abaixou o óculos escuro e deu uma olhada nela, um sorriso brotou em seu rosto, fazendo com que Lorrany pulasse para um grande abraço.
 Eu não iria ficar ali, só analisando os dois se abraçarem, então fui direto para o portão.
- Que bom te rever... – sussurrou Lorrany, ainda no abraço.
- Pois é! – respondeu Lucas, empurrando Lorrany e dando uma olhada em seu rosto.
 De repente, ele parou de olhá-la e seus olhos bateram em mim.
- Quem é ela? – perguntou Lucas, apontando para mim.
- Ah... Essa é a Belinda, ela é nova aqui. É de Miami! – explicou Lorrany, enquanto Lucas me regulava de cima abaixo.
 Senti-me um pouco mal por estar sendo regulada novamente.
- Olá! – exclamou Lucas, num grande sorriso.
- Oi... – sussurrei, olhando para os lados, meio que procurando alguma coisa, mas nem eu sabia o quê.
 Lorrany olhou para Lucas, sorriu novamente e partiu para mais um longo abraço.
- É... Acho melhor eu ir indo. – expliquei aos dois.
- Pode ir, te vejo mais tarde... Se você quiser! – respondeu Lorrany.
 Segui até a rua que dava na minha casa.
 Chegando perto de casa, alguém me cutucou e um susto me pregou.
- Oi. – disse Lorrany, deixando-me ver Lucas logo atrás dela. – Demorei, mas cheguei!
- É... E o seu amigo também.
- O que houve? Não curtiu o Lucas? – perguntou Lorrany, regulando Lucas de cima a baixo. – Ele pode parecer meio isibidinho... Mas é legal!
 Seguimos até a porta da casa de Lorrany. Ela pediu que eu entrasse, eu disse que não e ela insistiu.
- Não Lorrany, preciso ir. Minha mãe me espera! – expliquei, dando-lhe um abraço e seguindo até a porta de casa.
 Lorrany logo em seguida, entrou – acompanhada de Lucas.
 Antes que eu abrisse a porta, percebi que próximo ao pequeno e coberto de neve jardim, Pool estava lá. Acompanhado de mamãe ele fazia um boneco de neve. Corri até eles, para avisar que eu chegara.
- Belinda! – exclamou Pool, na maior felicidade. – Veio nos ajudar a fazer o boneco de neve?
- Não Pool... Só vim avisar que eu já cheguei. – respondi, abraçando-o. – Olá mamãe.
- Olá Belinda! – respondeu mamãe, concentrada em terminar o boneco. – A comida está no micro-ondas.
 Calei-me e segui até a porta. Verdadeiramente, eu não estava com a mínima fome, então prossegui até meu quarto.
 Chegando lá, joguei a mochila perto da porta, peguei meu Notebook e deitei na cama. Vi que ali havia umas mensagens das minhas amigas e do Trevor. Não queria ler as mensagens agora, então me troquei, fui até a sala e comecei a assistir.
 De repente, meu celular tocou. Era Trevor.
- Alô? – atendi.
- Belinda! – exclamou Trevor. – Eu estou ligando faz muito tempo, por que você não atende?
- Trevor! Você me ligou não faz nem meia hora! O que tá acontecendo?
- Pelo menos eu estou preocupado com você! – respondeu, dando uma indireta.
- Aé? E quem disse que eu não estou preocupada com você?
- Da pra perceber.
- Cale a boca! – gritei.
 Por um momento nos calamos. Era bobeira brigar nesse momento e logo agora, que estávamos longe um do outro.
 Ele não disse mais nada, muito menos eu. Eu não queria brigar e tenho certeza que ele também não! Então a melhor alternativa era se calar, até algum assunto aparecer.
- Belinda, ainda está ai? – perguntou Trevor.
- Sim. – respondi friamente.
- Está com raiva de mim?
- Sim! – respondi com firmeza.
 Trevor no mesmo momento desligou o telefone, me deixando ali, sem rumo.
 A única coisa a fazer era retornar a ligação.
- QUEM MANDOU VOCÊ DESLIGAR NA MINHA CARA? – gritei furiosa.
- Belinda, cale a boca! Eu cansei de falar com você! Conversamos mais tarde.
- É agora ou nunca mais, você escolhe!
 Ambos se calaram.
- O que você quer conversar? – perguntou Trevor.
- Sobre nós!
- Ah não... – sussurrou.
- Ah sim! – continuei. – O que você tem? Você nunca foi assim de ficar me ligando toda hora!
- BELINDA, VOCÊ TÁ EM OUTRO LUGAR, MUITO MAIS LONGE DE MIM! BELINDA, EU SOU SEU NAMORADO, NÃO SEUS AMIGUINHOS DA ESCOLA!
- PARE DE GRITAR COMIGO! – ordenei.
- PARE VOCÊ! – ordenou também.
 Ambos se calaram novamente.
- Trevor, eu não quero mais falar nada. Você me desanima! – comentei, chorando.
- Eu te desanimo? Belinda... Belinda! – disse. – Você está chorando?
- SIM, COMO EU NÃO ESTARIA CHORANDO COM VOCÊ FALANDO ASSIM? EM? DIZ-ME!
- Belinda eu não quero brigar... – sussurrou.
- Se você não percebeu, já brigamos. – finalizei a conversa, desligando.
 Depois de desligar, joguei o celular na parede da cozinha e corri para o meu quarto.
 Trevor não estava só me irritando, estava me chateando e me magoando!
 De tanto chorar na cama, acabei cochilando.

 Na manhã seguinte, mamãe insistiu em me levar para comer um café da manhã e depois me deixava na escola. Paramos no fast-food e eu pedi fritas e um suco de morango.
- Como está indo a escola, Bells? - perguntou mamãe deixando o suco dela de lado, e me encarando esperando eu responder.
- Boa. Lorrany já é minha amiga e... - dei uma pausa, percebendo que ela me encarava com um sorriso de querendo saber sobre os meninos. - Mãe, eu tenho namorado, e pra falar a verdade lá tem sim, meninos bonitos, mas não me interessei por nenhum! - na mesma hora, Jake veio pela mente, sacudi a cabeça e mamãe riu.
- Então ta.
- Vamos, mãe, vou me atrasar.
 Eu odiava o costume ridículo, quando minha mãe me fazia esquecer que eu tenho namorado e que devia arranjar outro.
 No carro, não ousei conversar com minha mãe. Fiquei observando a paisagem, e decidi falar com Lorrany pra me mostrar um pouco de Nova York.
- Tchau, Bells.
 Desci do carro e logo procurei por Lorrany.
 Até ela me assustar me abraçando por trás.
- Hoje a sua paquera não vai vir.
- Minha paquera? Do que você está falando?
- Jake! Eu sei que você sentiu algo por ele.
- Ah, Lorrany, cale a boca.
 Eu não me importava nem um pouco dele faltar ou vir. Ele não me interessa mesmo.
 Na aula, Lorrany ficou jogando papeizinhos sobre meninos, depois do professor trocá-la de lugar porque não parava de conversar comigo.
- Belinda, você pode ler a página 32, por favor?
 Era aula de francês e eu não sou muito boa em francês, mas tentei. Saiu uma porcaria, um mico! Pronunciei algumas palavras erradas e todos ficaram rindo, ainda por cima o texto era de uma página inteira - incluindo alguns quadrinhos com letras minúsculas e borradas.

- Você é ótima em francês - disse Lorrany com sarcasmo.
 Dei uma risada baixa e Lucas apareceu na nossa frente - eu o odeio.
- Oi garotas! - nos cumprimentou.
- Lorrany, te espero na cantina. - avisei á ela enquanto Lucas me olhava.
 Pedi um Milk Shake e fiquei pensando porque Lorrany me disse que Jake não iria vir, será que aconteceu alguma coisa com ele?! Mas e daí?
- Bells, porque você não gosta do Lucas? Ele é gente boa, e acho que gosta de você! - disse Lorrany aparecendo do meu lado e me olhando.
- Não é que eu não gosto dele, e... Como assim gosta de mim?
- Ele ficou me perguntando sobre você hoje, antes de você chegar.
- Porque você disse que o Jake não iria vir? - deixei escapar minha curiosidade.
 Lorrany ficou olhando pra trás de mim e não me respondeu. Depois ergueu as sobrancelhas, olhei pra trás e Jake estava ali. Nossos olhos se encontraram e fiquei-me xingando por dentro - ele ouviu o que eu disse o que deve estar pensando agora?
- Licença - ele disse, se sentando ao meu lado e olhando a tela com cardápios.
 Olhei pra Lorrany e ela riu. Abaixei a cabeça e fiquei tentando disfarçar a cena de antes. Puxei-a pra fora dali e tive vontade de espancá-la.
- Porque você disse aquilo no começo da aula?
- Pra ver sua reação, relaxa.
- Relaxar? Ele deve pensar que me apaixonei pela primeira vista!

 Na saída da escola, combinei com Lorrany da gente dar uma volta pela cidade, mas ela insistiu em Lucas ir junto, pois ele ia a casa dela hoje.
 Quando cheguei a casa, Pool estava assistindo Bob esponja no DVD, papai estava na cozinha lendo jornal e mamãe estava fazendo o almoço.
- Oi, pai, oi mãe - disse abrindo a geladeira. - Vou dar uma volta com a minha amiga, a vizinha daquele dia.
 Eles se encararam e não responderam, então considerei como um "sim pode ir."
 Subi pro meu quarto e me arrumei. Fiquei observando a vista pela janela, tinha crianças brincando com a neve - não estava muito frio - e adolescentes conversando. Deixei cair uma lágrima, lembrando de Miami.
- Belinda? – perguntou mamãe, entrando em meu quarto.
- Oi? – perguntei limpando a lágrima.
- Lorrany está lá embaixo e te espera. – respondeu, limpando suas mãos em um pano de prato. – É... – continuou – Está chorando?
 Encarei-a, querendo mostrar meu rosto – que naquele momento estivera seco -, voltei a olhar para a vista.
- E Trevor? – perguntou mamãe.
 Não respondi então ela insistiu.
- Por que continua com ele, filha? É uma perda de tempo em sua vida... – comentou, sentando-se em minha cama.
- Você não sabe de nada. – sussurrei.
- Eu sei mais que você, disso eu sei. – rebateu.
- Não sobre Trevor.
 Mamãe no mesmo instante levantou-se, colocou o pano de prato em seu ombro e sussurrou.
- Não deixe Lorrany te esperando.
 Depois, saiu de meu quarto.
 Não queria deixá-la esperando, então prossegui até a sala.
- Até que em fim... – comentou Lorrany, levantando-se do sofá e partindo para um abraço.
 Abraçamos-nos e então fomos para o passeio.
- O que você quer ver primeiro? – perguntou Lorrany, enquanto eu trancava a porta.
- Ah... Você tem uma sugestão?
- Hum... – sussurrou – A lanchonete dez, aqui perto. Eu sempre como lá aos sábados. – respondeu, puxando minha mão e andando até a tal lanchonete.
 Aquela lanchonete não era tão perto – o que me deixou muito cansada – e ainda por cima, fomos a pé! Quando chegamos, ela não estava vazia e havia muitas pessoas da nossa escola.
- Olha, o Lucas está ali! – comentou Lorrany, apontando para uma das cadeiras do fundo, onde Lucas estivera sentado olhando o cardápio.
- Ele ainda não nos viu, da tempo de cair fora. – sussurrei, puxando-a.
 Ela queria ir lá, sentar e começar a conversar com Lucas, mas eu não. Pra mim ele não passava de um bajulador barato. E então, prosseguimos para mais um local.
- Vamos ao shopping? – perguntou Lorrany – Lá tem uma loja perfeita de roupas e sapatos.
- Ta...
 Fomos até o shopping – não era tão longe quanto à lanchonete -, e quando chegamos meu olho logo bateu em um letreiro:
 Sua vida amorosa não anda muito boa? Então venha aqui. Um encontro às escuras,                                         iremos arranjar.
- Parece até que é pra mim... – sussurrei.
- Falou alguma coisa? – perguntou Lorrany, concentrada em olhar para um dos sapatos da vitrine da tal loja.
- Não.
 A loja era mesmo perfeita. Tinha cada roupa linda, mas eu não estava com dinheiro naquele momento, então teríamos que vir outro dia.
- Que tal ir no Skate Park? – perguntou Lorrany. – Sei que você não está interessada em namorar ninguém, pois você tem um namorado. Mas olhar não arranca pedaço! – comentou. – E aí? Topa?
 Por um momento pensei em Trevor, eu não queria arranjar nenhuma “paquera” nesse momento. Mas depois pensei na briga e a raiva subiu à minha cabeça, fazendo-me topar ir no Skate Park.
 O Skate Park é longe do shopping, então tivemos que pegar um ônibus.
- Aqui! – apontou Lorrany para um banco de dois lugares.
 Sentamo-nos e ela foi amostrando os lugares pela janela.
- Vamos descer aqui. – comentou, apertando o sinal. – Vem! – ordenou, puxando-me pelo braço. – Aqui é o palácio da beleza masculina, aonde todos os meninos bonitos se encontram, até o Jake.
 O Skate Park era grande, era como um hotel. Lá no topo tinha uma rampa enorme – a rampa da morte – e lá embaixo, as pequenas rampas.
 Entramos lá dentro, havia um saguão. E logo em seguida, elevadores – em cada andar, tinha uma rampa apropriada.
- No quarto andar, que ficam os bonitos. – comentou Lorrany entrando em um dos elevadores.
- Então vamos lá.
- Isso ai Bells! Assim que se fala! – comentou apertando o botão de número quatro.
 O elevador estava novo, então foi muito rápido. Mas antes de chegarmos no quarto andar, alguém subiu no elevador. Era um menino simpático, loiro e alto, mas não me chamou a mínima atenção.
- Vamos! – exclamou Lorrany saindo do elevador.
 O quarto andar era sim o “Palácio da Beleza Masculina”. Lá tinha as paredes douradas e o chão era um carpete vermelho. As rampas ficavam ao lado de uma parede de vidro – era linda a vista. – e ao lado dos elevadores tinham algumas cadeiras, bem do outro lado, perto da parede, tinham uns jogos.
 Sentamo-nos em um dos bancos. Lá estava cheio de meninos – e meninas também.
 Depois de um tempo conversando e analisando os meninos, um deles sentou-se nosso lado.
- Olá! – disse o tal menino. Ele tinha um moicano e a sua pele era clara e ele era muito musculoso. – O que as belas fazem aqui?
- É... – sussurrou Lorrany. – Nada, apenas olhando a bela paisagem... – os olhos de Lorrany correram pelo tanquinho dele.
- É, eu também. – dessa vez os olhos dele, correram pelo rosto de Lorrany.
 Ela riu. Ele levantou-se e pegou na mão dela.
- Quer passear por ai? – perguntou o tal menino. – Ah, meu nome é Matheus.
- Ah... Quero Matheus... – respondeu Lorrany. – Mas, com uma condição.
- Qual?
- Se você tiver outro amigo gatinho que nem você para acompanhar ela. – respondeu Lorrany apontando para mim.
- Lorrany! – comentei furiosa.
- Tudo bem, eu vou falar com o Mike! – respondeu Matheus, soltando a mão de Lorrany e indo falar com um grupinho de meninos que estavam encostados na rampa.
 Depois – não muito tempo – ele voltou com um menino super lindo. Ele tinha olhos cor de mel, cabelo preto – feito topete – e um músculo lindo.
- Esse aqui é o Mike! – comentou Matheus, empurrando Mike para cima de mim.
- Prazer! – disse Mike.
- Prazer!
- E então, já podemos ir. – comentou Lorrany.
 Eu não estava gostando nem um pouquinho de um menino desconhecido – mas completamente lindo – segurando a minha mão e me arrastando até o shopping.
 Depois eles começaram a conversar, então fui para o lado de Lorrany.
- O que é isso? Sair com meninos desconhecidos! Você ta ficando doida, né? – perguntei assustada.
- Belinda, se toca. Já temos dezesseis anos! – respondeu continuando a andar.
- “Belinda se toca”? – perguntei. – Você tá pensando que é quem? Eu vou me mandar, porque não quero me meter em encrenca.
- Vamos conversar... – respondeu Lorrany me puxando para o lado. – Vão indo meninos.
 Ela me olhou fundo nos olhos e suspirou.
- Olha Belinda, se você for ficar pensando nas consequências é melhor você nem ser minha amiga. – comentou.
- Ta... – respondi – Vamos logo, antes que eles queiram ir embora.
 Prosseguimos até os meninos. Lorrany correu até o Matheus e agarrou seu braço. Eu fiquei na minha, só andando. Então Mike, me olhou, sorriu e segurou minha mão.
- Qual seu nome? – perguntou Mike.
- Belinda... – respondi super confusa.
- Quantos anos você tem? – continuou o questionário.
- Dezesseis! – respondi. – E você?
- Dezessete.
 Não era legal sair com ele. Ainda mais que ele era mais velho, eu me sentira uma pirralha ali.
 Não tinha como ir ao shopping a pé, então tinha que ir de ônibus – de novo -, então eu corri pra sentar com a Lorrany, mas ela me despachou e quis sentar com o Matheus. Legal! Tive que ficar com o Mike.
- Você está fugindo de mim ou é só impressão? – perguntou Mike, rindo.
- É... – gaguejei.
- Tenha medo não, eu não mordo! – comentou abraçando-me.
 Não me sentia confortável sendo abraçada por ele – estava pensando muito em Trevor – mas por um lado, era ótimo.
- Você é linda... – comentou.
- Obrigada! – respondi meio com vergonha.
 Quando chegamos, eu dei aleluia.
 Entramos no shopping e optamos por tomar uma vitamina.
- Vamos sentar ali. – indicou Lorrany, apontando para uma mesa de quatro lugares.
 Sentamos na tal mesa e pegamos o cardápio.
- Eu vou querer de abacate e você Lô? – perguntou Matheus com muita intimidade.
- Hum... Vou querer de morango! – respondeu Lorrany.
- Eu quero de morango também. E você Mike?
- Goiaba. – respondeu Mike. – Vocês vão lá pedir, a gente fica aqui, ta?
- Ta bem! – respondeu Lorrany me puxando.
 Deixei minha carteira em cima da mesa.
 Enquanto pedíamos, o meu celular tocou – era o Trevor.
- E aí? Atende? – perguntou Matheus.
- Claro! – respondeu Mike pegando meu celular e atendendo.
 Ele atendeu e Trevor logo disse:
- E aí?
- Quem é? – perguntou Mike, na maior tranquilidade.
- Quem é digo eu. Quem é você? E por que ta com o celular da minha namorada? – perguntou Trevor.
- Sua namorada? A meu filho, acho melhor você se tocar. Levou chifre, colega.
- Hã? Qual seu nome? – continuou Trevor.
- Meu nome é Mike. E se você quer saber eu to num encontro com a Belinda, ta? Da licença! – respondeu Mike, desligando o celular e deixando-o na carteira.
 Matheus olhou para Mike e balançou a cabeça. Enquanto nós voltávamos com as vitaminas, eles se calaram.
- Aqui estão as vitaminas! – anunciei.
- Obrigada linda. – respondeu Mike.
 Depois de muito papo, Lorrany e Matheus já estavam se beijando. Então Mike quis me beijar também, mas eu recusei.
- Está na hora de ir... – comentei olhando para o relógio que mostrava ser seis horas.
- É... Te ligo Matheus. – respondeu Lorrany, selando a conversa com mais um beijo.
- Tchau Mike, foi bom te conhecer.
- Também foi bom te conhecer. – disse Mike, dando-me um papel com seu telefone. – Me liga...
 Fomos para casa.
 Quando estávamos na porta da minha casa, Lorrany se despediu.
- Tenho que ir, meu pai deve estar me esperando para fazer a famosa macarronada de quinta-feira.
- Tudo bem, obrigada por me mostrar Nova York! – respondi abraçando-a.
 Ela seguiu até a casa e entrou.

 Quando estava no meu quarto, fui olhar meu celular e tinha uma ligação do Trevor, mas eu não me lembrava de ter atendido.
 Então, retornei a ligação.
- Trevor? – perguntei. – Você me ligou?
- Não lhe devo satisfações, ah, não me ligue mais, a não ser pra falar que morreu! – respondeu Trevor desligando na minha cara.
 Eu não tinha entendido nada, mas não queria retornar a brigar, naquele momento eu só queria comer um sanduíche de atum.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

No verão

Calçados pra arrasar :D 

 Havaianas - confortável e bonita. A Havaianas de hoje vem cheia de style, com bichinhos, listras e cores vibrantes, ela chama a atenção
 Já para aquelas que amam um salto, aqui está. Um salto alto para usar na night ou em ocasiões especiais.
 Já aquelas que amam style e diferença. Aqui está.
Uma sandalinha simples, mas super diferente e a FS aprova!
 Mais um salto, para dar um style em ocasiões especiais - como um casamento, talvez.
 Baixo, confortável e muito fofo!
  O sapato número 7 é cheio de fechos e ainda por cima é de uma cor básica, que não chama muito atenção.
 Já esse sapato, é especial para usar no dia-a-dia. Um sapato confortável, lindo e a FS aprova, com certeza!
 Já aquelas que amam um chinelinho simples, aqui está. Um chinelo simples com apenas um detalhe - o laço.
Chinelinho num tom rosa chiclete, com uma flor na frente, dá o style nele. Super fofo.


O que usar no verão? 
 Roupas leves e óculos! Essas opções não são apenas uma questão de estilo. As roupas leves facilitam a transpiração e isso é fundamental para manter a temperatura do corpo. Os óculos escuros protegem os olhos dos efeitos nocivos do sol (queimadura da córnea e retina dos olhos), mas eles precisam ser de marcas confiáveis, que garantem a proteção ultravioleta.

 Unhas 
 Protetor solar, areia e cloro tiram o brilho do esmalte e fazem com que ele descasque mais rápido. Infelizmente, não há no mercado um produto que evite esses problemas. Portanto, se você não abre mão de estar com as unhas pintadas e impecáveis, aí vão algumas dicas:
• Use extrabrilho. Esse produto garante o brilho e "segura" o esmalte por mais tempo. Passe logo depois de pintar as unhas ou quando sentir que o esmalte está ficando com "cara de velho".
• Leve sempre um vidrinho de esmalte, da mesma cor que estiver usando. Assim, pode retocar quando quiser.
• Hidrate as mãos. Isso ajuda a evitar o aspecto de esmalte velho.

Pele torrada?!
Quem não adora ficar "torrando no sol" para deixar a marquinha do biquíni e ficar meeega bronzeada? Porém, saiba que essa mania pode trazer muitos malefícios á pele, como manchas, envelhecimento precoce e até mesmo câncer. Mas calma! Não precisa ficar desesperada. Você tem que tomar apenas dois cuidados para isso: não expor ao sol no período entre 10h e 16h e usar um bom protetor solar para raios UVA e UVB.




E acima de tudo, sempre tem uma paradinha pra uma coisa deliciosa, quem não resiste nesse verão, né? Milkshake, sorvete, água de coco, todas essas delícias.

Frozen Yogurt Yogoberry.
                                                
                                                     Fruttare Caseiro de Morango.                

Mais algumas sugestões sobre o verão? Alguma dúvida? Só comentar :D

créditos; yes! teen.



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Teenlog - Entre dois corações

O teenlog, é um espaço para livros, onde vamos postar esse que estamos fazendo - Entre dois corações. -, espero que gostem, á cada 3/4 dias vamos postar um capítulo.


Capítulo 1

 Mudanças? Essa palavra meio que não existe no meu dicionário. Eu prefiro ser do jeito que eu, ou, onde estou.

- As suas malas já estão prontas, Belinda? – perguntou mamãe, entrando lentamente em meu quarto e vendo-me sentada na janela, chorando e olhando para a linda e azul vista que eu tinha do mar. – Belinda? Está chorando?
- Não mãe... – sussurrei, tentando limpar as lágrimas antes que ela viesse até mim. – Estou apenas tentando guardar em minha mente a linda imagem que nunca mais verei.
 Mamãe levemente riu.
- Não diga isso. Nova York também tem uma bela vista, sabia? – exclamou, num tom feliz.
- Pra que uma linda vista de neve e gelo, se eu tenho aqui o sol e o mar? – perguntei, olhando levemente em seu rosto.
- Nova York será bom para todos nós, Belinda – disse. – Vamos, termine de arrumar suas malas, o avião sai às dezoito horas – continuou, calando-se e saindo do quarto lentamente.
 Levantei-me e prossegui a arrumar a minha última mala – que só continha cartas de despedidas e presentes das minhas fiéis amigas. 
 Acabando de arrumar os últimos detalhes, levantei-me e abri a porta do guarda-roupa, olhei-me no comprido espelho que havia lá. Eu estava horrível, meu cabelo estava embaraçado, estava com roupas de dormir e ainda por cima, meu rímel havia escorrido pelas maçãs do rosto.
 Olhei para o pequeno relógio ao lado da minha cama – presente da minha querida avó, que também morava aqui, em Miami – mostrava ser 15h40min. Ou eu me arrumava rápido ou eu iria de pijama para Nova York.

 Uma básica roupa – jaqueta de couro preta, blusa branca (simples) por dentro, calça jeans e um tênis. – era o bastante.
 Antes que eu abrisse a porta e desse mais uma olhada para a grande vista da janela, papai gritou:
- Vamos Belinda ou teremos que arrastá-la!
 Fechei a porta lentamente, suspirei e despedi-me do quarto. Desci as longas escadas como se o mundo fosse acabar. Chegando ao fim, fechei meus olhos com muita força, esperando que isso fosse um sonho. Infelizmente, não era.
- Está tudo certo? Podemos ir? – perguntou papai, enquanto mamãe e Pool saíam pela porta da frente, com suas malas.
- Sim – sussurrei.
 Papai pegou minhas malas e levou-as até o carro, enquanto eu tivera que trancar a porta da frente. Aquele último toque na casa que eu passei a minha vida inteira, foi como se o chão desabasse, pra mim era difícil se mudar. Eu tinha amigos ali, tinha um namorado e tinha uma escola, que passei a vida inteira.
 Suspirei e lentamente fui até o carro, aonde Pool e mamãe já haviam entrado.
 Por fim, papai entrou no carro. Girou a chave e prosseguiu até o aeroporto.
 Pool – meu irmão de sete anos – é bem legal, ele não é daquele tipo de irmão que te odeia – só de vez em quando.
- Vai ficar tudo bem, né? – perguntou Pool a mim, enquanto eu olhava tristemente para nossa “antiga” casa.
- Sim – respondi olhando em seus olhos, que lacrimejavam. Ele se encostou a mim e eu abracei-o. – Vai ficar tudo bem.
 Da nossa antiga casa, até o aeroporto, levava por volta de uma hora. Por isso tínhamos que sair cedo.
 Pool dormiu durante o caminho. E eu só fiquei observando as ruas, as ruas que eu passei; as ruas que eu caí; que eu beijei o Trevor – meu namorado – pela primeira vez... Tudo aquilo pra mim, era um rio de lágrimas.
 Quando chegamos ao aeroporto, já eram 17h. Tempo suficiente para relaxar mais um pouco antes do vôo.
 Enquanto papai foi comprar as passagens, eu, mamãe e Pool ficamos sentados em uns bancos, perto de uma parede de vidro, que dava pra ver os aviões decolando.
 Decidi ligar para Trevor e dizer meu último adeus. Eu ainda amo o Trevor, não tinha como terminar com ele agora, o jeito foi continuar namorando.
 Afastei-me um pouco de mamãe e Pool e liguei. Ele rapidamente atendeu.
- Belinda? – perguntou, fazendo minha boca tremer ao ouvir o doce som de sua voz.
- Trevor!
- Está tudo bem? Você já está em Nova York? – perguntou preocupadíssimo.
- Não Trevor. Ainda estou aqui, no aeroporto – suspirei. – Estou ligando porque queria ouvir sua voz, só isso.
- Ah... – suspirou. - É muito bom ouvir sua voz, também. E principalmente... Saber que você está bem.
 Quando eu iria prolongar a conversa, papai me chamou.
- Tenho que desligar, te ligo novamente quando chegar lá. Está bem? Eu te amo muito.
- Eu também te amo, Belinda. – respondeu Trevor deixando-me desligar primeiro.
 Desliguei o celular e andei até os bancos. Papai já havia comprado as passagens e estava conversando com a mamãe, enquanto Pool jogava em seu Nitendo DS.
- Estava falando com quem? – perguntou mamãe.
- Com ninguém – respondi. Odeio quando perguntam, por isso não falo quem é.
- Era com o Trevor? – continuou a perguntar.
- Não lhe interessa - respondi olhando diretamente para o avião que decolava.
- Olha como fala comigo – exclamou mamãe, segurando em meu braço. – Por que está assim? Você não é assim!
- PORQUE EU ODEIO NOVA YORK! – gritei correndo para o banheiro que havia ao nosso lado.
 Entrei em um dos banheiros, sentei-me no vaso e comecei a derramar lágrimas seguidas, pareciam mais uma tempestade do que lágrimas. Depois de muito chorar, abri a porta do banheiro e fui até a pia, onde vi minha face, naquele enorme espelho. Novamente, meu rímel escorria pelo rosto, fazendo-me parecer uma EMO.
 Apoiei meus cotovelos na pia e olhei as lágrimas caírem no ralo. Eram tantas.
 De repente, me assustei com o barulho da porta abrindo – era a mamãe – ela entrava no banheiro lentamente e me via ali, chorando.
- Não precisa chorar! Não vai acontecer nada demais, apenas vamos se mudar. Para o bem da nossa família. Você quer mesmo que seu pai fique trabalhando aqui? Aonde não ganha quase nada? – perguntou mamãe, olhando fixamente em meus olhos.
- Não – sussurrei.
 Sem muito pensar, levantei a cabeça e olhei para ela, corri e abracei-a.
 Saímos daquele banheiro conversando, conversando sobre como seria nossa vida daqui em diante. Falamos que ela seria feliz, alegre e com muita paz – o que toda família quer.
 Quando vimos, já era a hora de embarcar.
- Vamos? – perguntou papai, olhando para todos nós.
 Levantamo-nos e colocamos nossas malas aonde iriam para o avião. Entregamos a passagem para a moça e agora, era só embarcar. Antes de prosseguir. Olhei novamente para trás, suspirei e prossegui.
 Não era minha primeira viagem de avião, então eu já estava acostumada, mas meu irmão não.
- Por aqui – guiou-nos a aeromoça. – Aqui, o acento de vocês dois – apontou para duas cadeiras, indicando que eu e Pool sentássemos – E vocês aqui. – apontou para as cadeiras de trás, aonde sentariam mamãe e papai.
 Eu fui mais esperta, sentei ao lado da janela – para dar a última olhada em Miami – e Pool na cadeira ao lado. Como Pool já havia dormido um bocado no carro, ele não devera estar com sono, mas por incrível que pareça, ele adormeceu rapidamente.
- O Pool dormiu? – sussurrou mamãe, atrás de mim.
- Sim – sussurrei de volta.
 Peguei meu celular, coloquei uma música para ouvir e comecei a ler uma das minhas antigas revistas. Folheando-a, encontrei um papel. Não era um papel comum, era um desenho, um desenho meu. Nesse desenho, havia a minha família e lá atrás a minha casa. Suspirei e tentei novamente não chorar, mas foi impossível. As lágrimas escorreram novamente, molhando todo o desenho.
 Depois de muito chorar, limpei minhas lágrimas e olhei para trás. Mamãe e papai também haviam dormido, quer dizer, todos naquele avião dormiam menos eu.
 Então, resolvi fechar a revista e dar a última olhada em Miami.
 Adormeci, sem querer.
 Depois de horas dormindo, acordei. Vendo que Pool ainda dormira, mas mamãe e papai não mais.
- Está tudo bem? – perguntou papai, olhando para mim.
- Sim – respondi, bocejando.
- Estamos quase chegando – sussurrou mamãe.
 Pois é, já estávamos em Nova York. Fechei meus olhos, tentando dormir até chegar ao aeroporto, mas foi impossível.
- Quer alguma coisa? – perguntou a aeromoça, empurrando um carrinho cheio de balas de goma e barra de cereais.
- Sim – respondi. – As balas de goma.
- Aqui está – respondeu entregando-me algumas balas.
 Aquelas balas eram as mais maravilhosas do mundo. Então fiz questão de guardar algumas de lembrança do avião.
 Depois de alguns minutos. Alguma voz soou, fazendo todos acordarem.
- Por favor, senhores, desapertem os cintos, pois nós já aterrissamos e logo conduziremos vocês até a saída. Obrigada por voarem conosco.
 Peguei minhas coisas e acordei Pool. Quando ele acordou, parecia assustado e com fome.
- Mãe... – sussurrou, levantando-se e indo para o colo da mamãe.
- Crianças – sussurrei.
 Todos estavam indo embora por fileiras. A nossa fileira foi a primeira a sair.
 Quando saí daquela porta, um ar gelado veio em meu rosto, fazendo-me tossir. Descer aquelas escadas fez-me lembrar da minha “antiga casa”. Quando desci, percebi que nevava, mas pouco, bem pouco mesmo.
- Neve! – exclamou Pool, tentando pegar um dos flocos.
- Você deveria estar feliz como o seu irmão filha! – exclamou papai.
- Ai pai, não enche – respondi, indo em direção a porta do aeroporto.
 Quando chegamos lá, tinha tantas pessoas, era uma bagunça só.
- Vamos pegar um táxi – exclamou papai indo em direção a um dos táxis que haviam ali, parados.
 Papai chegou ao táxi e pediu para cobrar as passagens, enquanto nós íamos colocando as malas no porta-malas.
- Vamos crianças, entrem, entrem... – avisou mamãe, nos empurrando para dentro do táxi.
 Depois de todos entrarem, papai entrou, fechando a porta com maior força.
- Calma, moço, esse carro é alugado – comentou o taxista.
 Papai não respondeu, mas mandou-o prosseguir até a nossa nova casa.
 Onde ficava nossa casa, era o tipo de vila familiar, aonde as casas se pareciam, mas eram muito bonitas.
- É aqui – indicou papai.
- Bem vindos à Nova York – respondeu o taxista, abrindo as portas e indo até o porta-malas.
 Ele retirou todas as nossas malas, enquanto eu saía do carro e olhava fixamente para uma janela com varanda.
- Ali pode ser o meu quarto? – perguntei apontando para a tal janela.
- Claro – respondeu mamãe, pegando nossas malas.
 A casa era super bonita, tinha uma escadinha para subir até a porta de entrada e era marrom, marrom tijolo. Tinha algumas janelas, mas só uma com sacada. Era grande e muito espaçosa.
 Eu fui a primeira a entrar na casa, peguei as chaves da mão do papai e abri a porta.
 Quando abri, percebi que lá já havia móveis – móveis lindos.
- De quem são esses móveis? – gritei ao papai, que vinha em direção a porta, com nossas malas.
- Nossos! – respondeu. – Lembra que vim à Nova York antes de vocês? É... Eu comprei os móveis. Gostou?
- Sim – sussurrei, entrando.
 Corri até as escadas e subi até os quartos. Eles já tinham móveis, corri até o quarto com sacada e vi que os móveis eram iguais aos meus antigos. Ali era o meu novo quarto!
 Fui até a sala, onde mamãe estava sentada no sofá, exausta.
- Como sabiam que eu iria querer aquele quarto?
- Ah... Conhecemos você muito bem – respondeu papai. – Vocês estão com fome? Porque eu to faminto!
- Claro – respondemos.
 Até agora estava indo tudo bem. A casa era perfeita, a família estava feliz e o papai iria preparar Nachos com queijo – a minha comida preferida.
- Aqui está – respondeu papai colocando os Nachos com queijo na mesinha de centro perto do sofá, onde todos estavam sentados. – O que estão assistindo?
- OS SIMPSONS! – gritou Pool, pulando no sofá.
 Papai sentou-se conosco e começou a assistir também.
 Depois de assistirmos várias coisas, alguém tocou a campainha.
- Eu atendo! – exclamei, pulando do sofá e indo até a porta, que não era tão longe. – Olá? – perguntei, abrindo a porta e vendo um casal e uma filha, eles estavam segurando um vaso de flores.
- Olá, meu nome é Brittany, o dele é Oscar e o dela é Lorrany, nós somos seus vizinhos e queríamos dar as boas-vindas.
- Ah... Entrem, meu nome é Belinda, prazer.
 Eles pareciam super simpáticos e a filha deles, aparentava ter a minha idade e ela era super simpática.
- Belinda? – perguntou mamãe assustada, os vendo entrarem em casa.
- Desculpe o incômodo, senhora, nós só queríamos dar as boas-vindas – respondeu Oscar.
- Ah, tudo bem. Meu nome é Fátima, o dele é George e o pequenino é o Pool. E a Belinda, vocês já conhecem... – respondeu mamãe, apertando a mão deles.
 A tal Lorrany, olhou para mim e levemente sussurrou um “oi”.
- Oi – respondi querendo ter amizade com ela.
 Lorrany tinha cabelo curto e preto, era meio que repicado e ela tinha uma franja de lado. Usava um casaco verde por cima de uma blusa branca e uma calça jeans com tênis.
- Vocês já moravam aqui em Nova York? – perguntou Lorrany, enquanto eu me sentava em uma poltrona e pedia que ela sentasse na outra, ao meu lado.
- Não, não... Morávamos em Miami! – respondi.
- Ah... Bem vindos à Nova York, então! – exclamou sorrindo.
 Minha família e a família de Lorrany se deram super bem e nós também. Eles até ficaram pra comer o Nachos com queijo do papai.
 A Lorrany era super engraçada e muito legal, ela meio que virou minha amiga aqui. 
 Mas à noite eles tiveram que ir embora, já estava ficando tarde.
- Obrigada por tudo, ta? Amanhã se quiserem, vão lá em casa, ta? – perguntou Brittany.
- Está certo, nós vamos.
 Lorrany sorriu e me deu um longo e apertado abraço, como se já fossemos amigas a um tempão.
- Te vejo amanhã? – perguntou sempre sorridente.
- Tudo bem, me vê amanhã.
 Quando foram embora papai exclamou:
- Ta vendo, já fizemos amigos aqui!
- Pois é – concordou mamãe, tirando a tigela de cima da mesinha. – Mas agora já está tarde e vocês têm aula amanhã! Certo? Vão dormir!
 Pra mim, o dia ainda estava começando – apesar de ser mais de meia-noite.
- Boa noite, mãe – disse indo dar-lhe um beijo. – Boa noite, pai. – abracei-o.
- Boa noite – responderam juntos.
 Quando subi as escadas em direção ao meu quarto, Pool já havia adormecido e eu não iria acordá-lo para dar um simples “boa noite”.
 Entrei em meu quarto e coloquei um pijama. Deitei na cama e fiquei lá pensando em como seria a nova escola, os amigos... Eu pensava em tudo, menos em dormir.
 Levantei-me da cama e fui em direção a sacada. Apoiei meus cotovelos na grade e fiquei lá, observando a vista. A vista não era como a de Miami – uma praia linda, com um mar quase transparente – mas era bonita. Era uma visão dos prédios e de todas as luzes sendo apagadas.
 Depois de um longo tempo olhando aquela paisagem, me bateu o sono. Então resolvi ir dormir.
  A aula começava às 8 horas, então eu deveria acordar às 6h30min, porque eu demoro muito pra me arrumar.
 Coloquei o relógio para despertar, fechei a longa cortina que havia para tampar a sacada e deitei-me na cama, ajeitei-me, mas antes de cair no sono, lembrei-me que deveria ligar para Trevor quando chegasse aqui. Mas acabei me esquecendo, então deveria ligar amanhã.
 De repente, o sono me pegou.