Capítulo 1
Mudanças? Essa palavra meio que não existe no meu dicionário. Eu prefiro ser do jeito que eu, ou, onde estou.
- As suas malas já estão prontas, Belinda? – perguntou mamãe, entrando lentamente em meu quarto e vendo-me sentada na janela, chorando e olhando para a linda e azul vista que eu tinha do mar. – Belinda? Está chorando?
- Não mãe... – sussurrei, tentando limpar as lágrimas antes que ela viesse até mim. – Estou apenas tentando guardar em minha mente a linda imagem que nunca mais verei.
Mamãe levemente riu.
- Não diga isso. Nova York também tem uma bela vista, sabia? – exclamou, num tom feliz.
- Pra que uma linda vista de neve e gelo, se eu tenho aqui o sol e o mar? – perguntei, olhando levemente em seu rosto.
- Nova York será bom para todos nós, Belinda – disse. – Vamos, termine de arrumar suas malas, o avião sai às dezoito horas – continuou, calando-se e saindo do quarto lentamente.
Levantei-me e prossegui a arrumar a minha última mala – que só continha cartas de despedidas e presentes das minhas fiéis amigas.
Acabando de arrumar os últimos detalhes, levantei-me e abri a porta do guarda-roupa, olhei-me no comprido espelho que havia lá. Eu estava horrível, meu cabelo estava embaraçado, estava com roupas de dormir e ainda por cima, meu rímel havia escorrido pelas maçãs do rosto.
Olhei para o pequeno relógio ao lado da minha cama – presente da minha querida avó, que também morava aqui, em Miami – mostrava ser 15h40min. Ou eu me arrumava rápido ou eu iria de pijama para Nova York.
Uma básica roupa – jaqueta de couro preta, blusa branca (simples) por dentro, calça jeans e um tênis. – era o bastante.
Antes que eu abrisse a porta e desse mais uma olhada para a grande vista da janela, papai gritou:
- Vamos Belinda ou teremos que arrastá-la!
Fechei a porta lentamente, suspirei e despedi-me do quarto. Desci as longas escadas como se o mundo fosse acabar. Chegando ao fim, fechei meus olhos com muita força, esperando que isso fosse um sonho. Infelizmente, não era.
- Está tudo certo? Podemos ir? – perguntou papai, enquanto mamãe e Pool saíam pela porta da frente, com suas malas.
- Sim – sussurrei.
Papai pegou minhas malas e levou-as até o carro, enquanto eu tivera que trancar a porta da frente. Aquele último toque na casa que eu passei a minha vida inteira, foi como se o chão desabasse, pra mim era difícil se mudar. Eu tinha amigos ali, tinha um namorado e tinha uma escola, que passei a vida inteira.
Suspirei e lentamente fui até o carro, aonde Pool e mamãe já haviam entrado.
Por fim, papai entrou no carro. Girou a chave e prosseguiu até o aeroporto.
Pool – meu irmão de sete anos – é bem legal, ele não é daquele tipo de irmão que te odeia – só de vez em quando.
- Vai ficar tudo bem, né? – perguntou Pool a mim, enquanto eu olhava tristemente para nossa “antiga” casa.
- Sim – respondi olhando em seus olhos, que lacrimejavam. Ele se encostou a mim e eu abracei-o. – Vai ficar tudo bem.
Da nossa antiga casa, até o aeroporto, levava por volta de uma hora. Por isso tínhamos que sair cedo.
Pool dormiu durante o caminho. E eu só fiquei observando as ruas, as ruas que eu passei; as ruas que eu caí; que eu beijei o Trevor – meu namorado – pela primeira vez... Tudo aquilo pra mim, era um rio de lágrimas.
Quando chegamos ao aeroporto, já eram 17h. Tempo suficiente para relaxar mais um pouco antes do vôo.
Enquanto papai foi comprar as passagens, eu, mamãe e Pool ficamos sentados em uns bancos, perto de uma parede de vidro, que dava pra ver os aviões decolando.
Decidi ligar para Trevor e dizer meu último adeus. Eu ainda amo o Trevor, não tinha como terminar com ele agora, o jeito foi continuar namorando.
Afastei-me um pouco de mamãe e Pool e liguei. Ele rapidamente atendeu.
- Belinda? – perguntou, fazendo minha boca tremer ao ouvir o doce som de sua voz.
- Trevor!
- Está tudo bem? Você já está em Nova York? – perguntou preocupadíssimo.
- Não Trevor. Ainda estou aqui, no aeroporto – suspirei. – Estou ligando porque queria ouvir sua voz, só isso.
- Ah... – suspirou. - É muito bom ouvir sua voz, também. E principalmente... Saber que você está bem.
Quando eu iria prolongar a conversa, papai me chamou.
- Tenho que desligar, te ligo novamente quando chegar lá. Está bem? Eu te amo muito.
- Eu também te amo, Belinda. – respondeu Trevor deixando-me desligar primeiro.
Desliguei o celular e andei até os bancos. Papai já havia comprado as passagens e estava conversando com a mamãe, enquanto Pool jogava em seu Nitendo DS.
- Estava falando com quem? – perguntou mamãe.
- Com ninguém – respondi. Odeio quando perguntam, por isso não falo quem é.
- Era com o Trevor? – continuou a perguntar.
- Não lhe interessa - respondi olhando diretamente para o avião que decolava.
- Olha como fala comigo – exclamou mamãe, segurando em meu braço. – Por que está assim? Você não é assim!
- PORQUE EU ODEIO NOVA YORK! – gritei correndo para o banheiro que havia ao nosso lado.
Entrei em um dos banheiros, sentei-me no vaso e comecei a derramar lágrimas seguidas, pareciam mais uma tempestade do que lágrimas. Depois de muito chorar, abri a porta do banheiro e fui até a pia, onde vi minha face, naquele enorme espelho. Novamente, meu rímel escorria pelo rosto, fazendo-me parecer uma EMO.
Apoiei meus cotovelos na pia e olhei as lágrimas caírem no ralo. Eram tantas.
De repente, me assustei com o barulho da porta abrindo – era a mamãe – ela entrava no banheiro lentamente e me via ali, chorando.
- Não precisa chorar! Não vai acontecer nada demais, apenas vamos se mudar. Para o bem da nossa família. Você quer mesmo que seu pai fique trabalhando aqui? Aonde não ganha quase nada? – perguntou mamãe, olhando fixamente em meus olhos.
- Não – sussurrei.
Sem muito pensar, levantei a cabeça e olhei para ela, corri e abracei-a.
Saímos daquele banheiro conversando, conversando sobre como seria nossa vida daqui em diante. Falamos que ela seria feliz, alegre e com muita paz – o que toda família quer.
Quando vimos, já era a hora de embarcar.
- Vamos? – perguntou papai, olhando para todos nós.
Levantamo-nos e colocamos nossas malas aonde iriam para o avião. Entregamos a passagem para a moça e agora, era só embarcar. Antes de prosseguir. Olhei novamente para trás, suspirei e prossegui.
Não era minha primeira viagem de avião, então eu já estava acostumada, mas meu irmão não.
- Por aqui – guiou-nos a aeromoça. – Aqui, o acento de vocês dois – apontou para duas cadeiras, indicando que eu e Pool sentássemos – E vocês aqui. – apontou para as cadeiras de trás, aonde sentariam mamãe e papai.
Eu fui mais esperta, sentei ao lado da janela – para dar a última olhada em Miami – e Pool na cadeira ao lado. Como Pool já havia dormido um bocado no carro, ele não devera estar com sono, mas por incrível que pareça, ele adormeceu rapidamente.
- O Pool dormiu? – sussurrou mamãe, atrás de mim.
- Sim – sussurrei de volta.
Peguei meu celular, coloquei uma música para ouvir e comecei a ler uma das minhas antigas revistas. Folheando-a, encontrei um papel. Não era um papel comum, era um desenho, um desenho meu. Nesse desenho, havia a minha família e lá atrás a minha casa. Suspirei e tentei novamente não chorar, mas foi impossível. As lágrimas escorreram novamente, molhando todo o desenho.
Depois de muito chorar, limpei minhas lágrimas e olhei para trás. Mamãe e papai também haviam dormido, quer dizer, todos naquele avião dormiam menos eu.
Então, resolvi fechar a revista e dar a última olhada em Miami.
Adormeci, sem querer.
Depois de horas dormindo, acordei. Vendo que Pool ainda dormira, mas mamãe e papai não mais.
- Está tudo bem? – perguntou papai, olhando para mim.
- Sim – respondi, bocejando.
- Estamos quase chegando – sussurrou mamãe.
Pois é, já estávamos em Nova York. Fechei meus olhos, tentando dormir até chegar ao aeroporto, mas foi impossível.
- Quer alguma coisa? – perguntou a aeromoça, empurrando um carrinho cheio de balas de goma e barra de cereais.
- Sim – respondi. – As balas de goma.
- Aqui está – respondeu entregando-me algumas balas.
Aquelas balas eram as mais maravilhosas do mundo. Então fiz questão de guardar algumas de lembrança do avião.
Depois de alguns minutos. Alguma voz soou, fazendo todos acordarem.
- Por favor, senhores, desapertem os cintos, pois nós já aterrissamos e logo conduziremos vocês até a saída. Obrigada por voarem conosco.
Peguei minhas coisas e acordei Pool. Quando ele acordou, parecia assustado e com fome.
- Mãe... – sussurrou, levantando-se e indo para o colo da mamãe.
- Crianças – sussurrei.
Todos estavam indo embora por fileiras. A nossa fileira foi a primeira a sair.
Quando saí daquela porta, um ar gelado veio em meu rosto, fazendo-me tossir. Descer aquelas escadas fez-me lembrar da minha “antiga casa”. Quando desci, percebi que nevava, mas pouco, bem pouco mesmo.
- Neve! – exclamou Pool, tentando pegar um dos flocos.
- Você deveria estar feliz como o seu irmão filha! – exclamou papai.
- Ai pai, não enche – respondi, indo em direção a porta do aeroporto.
Quando chegamos lá, tinha tantas pessoas, era uma bagunça só.
- Vamos pegar um táxi – exclamou papai indo em direção a um dos táxis que haviam ali, parados.
Papai chegou ao táxi e pediu para cobrar as passagens, enquanto nós íamos colocando as malas no porta-malas.
- Vamos crianças, entrem, entrem... – avisou mamãe, nos empurrando para dentro do táxi.
Depois de todos entrarem, papai entrou, fechando a porta com maior força.
- Calma, moço, esse carro é alugado – comentou o taxista.
Papai não respondeu, mas mandou-o prosseguir até a nossa nova casa.
Onde ficava nossa casa, era o tipo de vila familiar, aonde as casas se pareciam, mas eram muito bonitas.
- É aqui – indicou papai.
- Bem vindos à Nova York – respondeu o taxista, abrindo as portas e indo até o porta-malas.
Ele retirou todas as nossas malas, enquanto eu saía do carro e olhava fixamente para uma janela com varanda.
- Ali pode ser o meu quarto? – perguntei apontando para a tal janela.
- Claro – respondeu mamãe, pegando nossas malas.
A casa era super bonita, tinha uma escadinha para subir até a porta de entrada e era marrom, marrom tijolo. Tinha algumas janelas, mas só uma com sacada. Era grande e muito espaçosa.
Eu fui a primeira a entrar na casa, peguei as chaves da mão do papai e abri a porta.
Quando abri, percebi que lá já havia móveis – móveis lindos.
- De quem são esses móveis? – gritei ao papai, que vinha em direção a porta, com nossas malas.
- Nossos! – respondeu. – Lembra que vim à Nova York antes de vocês? É... Eu comprei os móveis. Gostou?
- Sim – sussurrei, entrando.
Corri até as escadas e subi até os quartos. Eles já tinham móveis, corri até o quarto com sacada e vi que os móveis eram iguais aos meus antigos. Ali era o meu novo quarto!
Fui até a sala, onde mamãe estava sentada no sofá, exausta.
- Como sabiam que eu iria querer aquele quarto?
- Ah... Conhecemos você muito bem – respondeu papai. – Vocês estão com fome? Porque eu to faminto!
- Claro – respondemos.
Até agora estava indo tudo bem. A casa era perfeita, a família estava feliz e o papai iria preparar Nachos com queijo – a minha comida preferida.
- Aqui está – respondeu papai colocando os Nachos com queijo na mesinha de centro perto do sofá, onde todos estavam sentados. – O que estão assistindo?
- OS SIMPSONS! – gritou Pool, pulando no sofá.
Papai sentou-se conosco e começou a assistir também.
Depois de assistirmos várias coisas, alguém tocou a campainha.
- Eu atendo! – exclamei, pulando do sofá e indo até a porta, que não era tão longe. – Olá? – perguntei, abrindo a porta e vendo um casal e uma filha, eles estavam segurando um vaso de flores.
- Olá, meu nome é Brittany, o dele é Oscar e o dela é Lorrany, nós somos seus vizinhos e queríamos dar as boas-vindas.
- Ah... Entrem, meu nome é Belinda, prazer.
Eles pareciam super simpáticos e a filha deles, aparentava ter a minha idade e ela era super simpática.
- Belinda? – perguntou mamãe assustada, os vendo entrarem em casa.
- Desculpe o incômodo, senhora, nós só queríamos dar as boas-vindas – respondeu Oscar.
- Ah, tudo bem. Meu nome é Fátima, o dele é George e o pequenino é o Pool. E a Belinda, vocês já conhecem... – respondeu mamãe, apertando a mão deles.
A tal Lorrany, olhou para mim e levemente sussurrou um “oi”.
- Oi – respondi querendo ter amizade com ela.
Lorrany tinha cabelo curto e preto, era meio que repicado e ela tinha uma franja de lado. Usava um casaco verde por cima de uma blusa branca e uma calça jeans com tênis.
- Vocês já moravam aqui em Nova York? – perguntou Lorrany, enquanto eu me sentava em uma poltrona e pedia que ela sentasse na outra, ao meu lado.
- Não, não... Morávamos em Miami! – respondi.
- Ah... Bem vindos à Nova York, então! – exclamou sorrindo.
Minha família e a família de Lorrany se deram super bem e nós também. Eles até ficaram pra comer o Nachos com queijo do papai.
A Lorrany era super engraçada e muito legal, ela meio que virou minha amiga aqui.
Mas à noite eles tiveram que ir embora, já estava ficando tarde.
- Obrigada por tudo, ta? Amanhã se quiserem, vão lá em casa, ta? – perguntou Brittany.
- Está certo, nós vamos.
Lorrany sorriu e me deu um longo e apertado abraço, como se já fossemos amigas a um tempão.
- Te vejo amanhã? – perguntou sempre sorridente.
- Tudo bem, me vê amanhã.
Quando foram embora papai exclamou:
- Ta vendo, já fizemos amigos aqui!
- Pois é – concordou mamãe, tirando a tigela de cima da mesinha. – Mas agora já está tarde e vocês têm aula amanhã! Certo? Vão dormir!
Pra mim, o dia ainda estava começando – apesar de ser mais de meia-noite.
- Boa noite, mãe – disse indo dar-lhe um beijo. – Boa noite, pai. – abracei-o.
- Boa noite – responderam juntos.
Quando subi as escadas em direção ao meu quarto, Pool já havia adormecido e eu não iria acordá-lo para dar um simples “boa noite”.
Entrei em meu quarto e coloquei um pijama. Deitei na cama e fiquei lá pensando em como seria a nova escola, os amigos... Eu pensava em tudo, menos em dormir.
Levantei-me da cama e fui em direção a sacada. Apoiei meus cotovelos na grade e fiquei lá, observando a vista. A vista não era como a de Miami – uma praia linda, com um mar quase transparente – mas era bonita. Era uma visão dos prédios e de todas as luzes sendo apagadas.
Depois de um longo tempo olhando aquela paisagem, me bateu o sono. Então resolvi ir dormir.
A aula começava às 8 horas, então eu deveria acordar às 6h30min, porque eu demoro muito pra me arrumar.
Coloquei o relógio para despertar, fechei a longa cortina que havia para tampar a sacada e deitei-me na cama, ajeitei-me, mas antes de cair no sono, lembrei-me que deveria ligar para Trevor quando chegasse aqui. Mas acabei me esquecendo, então deveria ligar amanhã.
De repente, o sono me pegou.
Adorei o 1º capítulo do livro de vocês,estão de parabéns Jy&Kaah !
ResponderExcluirbeijo belle